Editorial – Uma noite que entrou para a história

Na noite de 28 de fevereiro de 2026, sob as luzes da Faculdade de Itaituba, a palavra ganhou corpo, voz e destino. A Academia Itaitubense de Letras não realizou apenas uma posse. Consagrou uma travessia.
A Cadeira nº 22 recebeu Israel Gonçalves de Souza, homem forjado na superação, nascido em 23 de janeiro de 1975, em Salvador. Sua história carrega marcas de fé, resistência e cuidado humano. Não é uma biografia comum. É uma jornada. E ao assumir seu lugar na Academia, Israel não apenas ocupa uma cadeira. Assume uma linhagem.
E essa linhagem tem nome: Arthur Bennett®, ocupante da Cadeira nº 33. Primeiro membro da AIL a tornar-se patrono de uma cadeira, Arthur agora é patrono da Cadeira nº 22. Um feito raro. Um marco institucional. Quando um acadêmico se torna patrono ainda em vida, a história deixa de ser passado e passa a respirar no presente. É reconhecimento. É legado. É permanência.
Na Cadeira nº 27 tomou assento Dieneclinea Silva, sob o amparo da patrona Maria Montessori. Nascida em 26 de fevereiro de 1991, construiu em Itaituba uma trajetória de coragem e formação contínua. Pedagoga, especialista em Neuropsicopedagogia Clínica Institucional com Educação Especial Inclusiva, acadêmica de Direito, educadora dedicada à inclusão. Sua vida dialoga com o espírito montessoriano: autonomia, disciplina, liberdade com responsabilidade. Sua escrita revela alma inquieta, sensível, capaz de transformar ausência em poesia e dor em recomeço.
A Cadeira nº 31 passou a ser ocupada por Manoel de Aguiar Cardoso, nascido em 10 de junho de 1954, em Tianguá, Ceará. Filho da roça, trabalhador desde a infância, empresário em Itaituba, poeta por vocação tardia. Sua poesia de cordel nasce da oralidade, da crítica social, da defesa da Amazônia, da observação firme da política e da vida do povo. É voz popular. É denúncia. É identidade regional transformada em verso.
Naquela noite, não foram apenas nomes anunciados. Foram destinos selados diante da memória coletiva.
A Academia mostrou que tradição não é estática. Ela se renova. Se fortalece quando reconhece seus mestres. Quando acolhe novas vozes. Quando honra o passado e desafia o futuro.
E assim, sob aplausos e expectativa, Itaituba viu sua história literária avançar mais um passo. Não pequeno. Não discreto.
Um passo firme. Um passo digno. Um passo que ecoará por gerações.

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